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Episódio #003, "O prédio do futuro"


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Falar de arquitetura a partir da biologia parece no mínimo esquisito, mas a gente aqui tem o mal hábito de apresentar fundamentos antes de cagar regra.

O mais importante e desconhecido embate filosófico da modernidade pode ser reduzido ao cognitivismo vs. comportamentalismo. Grosso modo, de um lado a assunção que a espécie humana dispõe de capacidades inatas, de natureza biológica, dentro na cabeça--no cérebro e na mente em particular; de outro o devaneio que nascemos sem pré-disposições biológicas e, portanto, somos mero produto do comportamento a que somos submetidos, o que a filosofia chama carinhosamente de tabula rasa.

Pois bem, desnecessário dizer que o embate permeia todos os domínios intelectuais e a arquitetura não fica de fora. O patrono do comportamentalismo no ramo foi um sujeito chamado Le Corbusier, que foi escorraçado de Paris ao tentar impor sua visão mecanicista no incrível urbanismo daquela cidade, mas acabou por conseguir carta branca em outras duas que tiveram menos sorte: Chandigarh, capital de Punjab, na Índia; e a não menos bizarra Brasília, através do seu pupilo e unanimidade nacional, Oscar Niemeyer.

Entre os delírios decorrentes da premissa que a natureza humana pode ser condicionada, chama atenção as quadras especializadas em áreas estritamente comerciais ou residenciais, criando longas e detestáveis caminhadas em esplanadas desproporcionais. Tudo para que nos sintamos minimizados perante grandes caixotes de concreto desprovidos de áreas verdes, estética e ambientes para o convívio social. Claro que o que vale para quadras, vale para edifícios monofuncionais e suas plantas capazes de prover o estritamente necessário para o sujeito dormir e trabalhar.

De uns tempos pra cá, entretanto, nota-se um despertar humanista na arquitetura e urbanismo no Brasil que chega a doer de tão óbvio. Quadras mistas, edifícios híbridos e umas poucas políticas que estimulam a criação de áreas de fruição e ocupação do espaço público. Antes tarde do que nunca, parece que estamos nos livrando das amarras modernistas e arriscando desenvolver cidades mais inteligentes, as quais devem apresentar prédios que respondam não só a demandas construtivas mais sensatas, mas também a usos cada vez mais congruentes.

Isto posto, vamos então pegar de novo a bola de cristal para debater e criar juntos "o prédio do futuro" em Floripa, nosso desafio no episódio #003 do Supernova.

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Sobre redação Supernova

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